Existe uma pressão para que a área de Treinamento & Desenvolvimento e o RH usem as inteligências artificiais em suas demandas. Porém, o desafio não é simplesmente “pedir para a IA fazer”, mas sim entender como podemos usar essa tecnologia para nos ajudar a trilhar um caminho que gere bons resultados.
Semana passada, a pesquisadora Dra. Diane Hamilton (drdianehamilton) publicou na Forbes 5 formas diferentes de usar a IA no apoio a treinamentos, principalmente em ações de integração (onboarding). Vou contar aqui os pontos que ela trouxe, de uma forma prática e aplicável, que se identifica com a realidade de pequenas e médias empresas (e pode ser ainda mais potencializada em grandes corporações).
Role-playing game (RPG)
Treinamentos com uso de interpretação de papéis já são muito usados em cenários de liderança, vendas e atendimento. No entanto, mesmo em um ambiente seguro, o participante pode ficar um pouco desconfortável em se expor. Não é incomum o facilitador ter que esperar que alguém se ofereça para uma atividade como essa. Usando IA, o colaborador é colocado em um ambiente controlado, sem “ninguém assistindo”, onde a IA cria os questionamentos e, ao final, oferece um feedback sobre seu desempenho. Isso pode ser feito por voz ou texto, com a vantagem adicional de poder avaliar o tom de voz ou a qualidade da escrita.
Benefício prático: Redução da curva de aprendizado para novas lideranças e equipes de vendas, que podem praticar negociações complexas à exaustão, sem o risco de perder um cliente real. O resultado é uma equipe mais confiante e preparada para situações de alta pressão.
Escape Room
A IA pode ajudar a criar o ambiente de acordo com a realidade da empresa: o momento, o motivo e o cenário, além de fornecer dicas e desafios. O exercício do escape room pode ser tanto físico quanto virtual, e a qualidade da experiência dependerá diretamente das informações que você fornece à IA para o seu desenho.
Benefício prático: Gerar atenção e engajamento para detalhes que levam a erros comuns por falta de atenção ou experiência, sem expor o colaborador ou gerar constrangimento.
Personalização do treinamento
Se você trabalha com educação, sabe que as pessoas têm formas diferentes de aprender. O desafio sempre foi personalizar essa experiência em escala. Com o uso de IA, isso se torna mais fácil. Ela pode ser usada tanto em uma plataforma que cria uma trilha específica para o participante, quanto no apoio para adaptar um mesmo conteúdo a diferentes mídias. Entregar o material em vários formatos deixa o aluno no controle da forma que lhe é mais favorável para aprender.
Benefício prático: Maior interesse por parte dos participantes e a possibilidade de identificar as mídias mais eficazes para capacitar e orientar os colaboradores, gerando dados para otimizar futuras ações.
Experiências na integração/onboarding
O processo de integração de novos colaboradores, ou a migração de um profissional entre áreas, demanda tempo e dedicação, seja dos profissionais de T&D ou os gestores que receberão o novo funcionário. E se você tivesse um agente virtual que usasse IA para direcionar o profissional, apresentar áreas, processos e até oferecer um tour virtual pela empresa?
Benefício prático: Libera a equipe de T&D e os gestores para se dedicarem a ações mais estratégicas, ao mesmo tempo em que oferece um ambiente seguro para o novo funcionário tirar dúvidas sem o receio de “incomodar”.
Treinamento baseado em cenário
Sabe aquela situação mais complexa ou aquela que não acontece com frequência, mas quando acontece é um grande problema? Quando você treina uma IA para simular situações como estas, você está dando a oportunidade para as pessoas conhecerem e entenderem o que deve ser feito, sem o medo de errar e com a possibilidade de repetir o exercício em busca de melhores soluções.
Benefício prático: A falha não gera custo, não expõe ninguém e a simulação pode ser usada quantas vezes for necessário. Isso evita a alocação de materiais de teste ou a interrupção de um colaborador ou equipamento para ensinar conceitos, principalmente os mais básicos e repetitivos.
Claro que, para todas as oportunidades acima, é necessária uma boa leitura de cenário, entendimento dos desafios, conhecimento do público e, acima de tudo, profissionais que saibam fazer as conexões necessárias. Em alguns casos, será preciso contratar empresas especializadas, mas boa parte do que descrevi pode ser desenvolvida com custos mais baixos, observadas as limitações de cada empresa.
A inteligência artificial não substitui a estratégia. Ela a potencializa. A chave não está em qual ferramenta usar, mas em saber qual desafio de negócio você precisa resolver. É sobre conectar a tecnologia a indicadores como performance de vendas, agilidade no onboarding ou desenvolvimento de lideranças.
E você, já usou as IAs para fazer algo parecido ou ficou interessado em aplicar alguma dessas ações? Precisa de apoio? Vamos conversar para te ajudar no desenho de uma solução.


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