A ABTD – Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento – publicou sua pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil 2024/2025. Alguns dados são bem interessantes e valem a pena refletirmos sobre eles. Vou destacar alguns aqui.
O primeiro ponto que notei de cara é a questão do modelo de treinamento. Mesmo pós-pandemia, os treinamentos online ainda são maioria, embora por uma margem pequena: 47% presencial e 53% online. Isso mostra a potência que os treinamentos à distância ainda possuem, especialmente em tempos de atuação remota ou híbrida. Um ponto interessante é que as empresas têm investido mais em treinamentos assíncronos/gravados, ou seja, de autoaprendizagem, do que em entregas online ao vivo, com um profissional instrutor/facilitador. Esses treinamentos ao vivo representavam 31% das entregas em 2022 e, em 2024, passaram para apenas 20%. Minha pergunta aqui é: será que as empresas estão perdendo oportunidades em ter mais entregas com um profissional em demandas ao vivo, que levem mais informação e insights aos participantes durante os treinamentos? Quanto os participantes estão conseguindo absorver sem uma troca síncrona durante seu aprendizado?
Outro dado interessante: 49% do investimento em treinamento foi direcionado para não-líderes e 51% para líderes (incluindo alta liderança). Contudo, os líderes tiveram como foco treinamentos direcionados para questões comportamentais, enquanto os não-líderes tiveram seus conteúdos focados em questões técnicas. Vejo com bons olhos estes números, pois o foco em desenvolvimento em gestão de pessoas está sendo tratado da forma correta com as lideranças, que precisam ter em mente que não são números que eles acompanham, mas sim pessoas que trabalham para que esses números aconteçam. Um dado que a pesquisa não traz, é o quanto líderes e liderados participam dos mesmos treinamentos? Será que eles estão na mesma sintonia quando falamos de Cultura ou de Comportamento?
Estruturas que as empresas possuem para suas demandas de T&D
Mais de 80% delas possuem programas de onboarding, recrutamento interno e pesquisa de clima. Quero destacar a seguinte informação: 88% fazem recrutamento interno, mas apenas 38% fazem gestão de talentos (pipeline de sucessão). Será que não existem mais oportunidades para ampliação da capacitação interna para novos líderes e desenvolvimento de novas áreas? Como uma empresa pode ter recrutamento interno se não atua com um pipeline de sucessão bem estruturado? Ou as empresas procuram líderes externamente ou estão promovendo pessoal sem a devida preparação.
E isso pode ser reflexo de outro ponto que me chamou a atenção: o fator Gestão do Conhecimento. Apenas 38% das empresas entrevistadas possuem essa estrutura. Mas, ao mesmo tempo, 46% indicam que possuem uma Universidade Corporativa. O que acontece com os 62% das empresas que não cuidam de seu conhecimento interno? E como ter uma Universidade Corporativa impactante se você não cuida das informações internas e sua disseminação orientada?
Bons líderes são apoiados quando ainda não o são. Ter em mãos ferramentas que ajudem nesse processo de forma organizada é uma das principais chaves para uma área de T&D alinhada. Acredito muito que pesquisas como esta nos ajudam a entender mais sobre como melhorar o conhecimento e desenvolvimento dentro das empresas.
Distribuição do orçamento anual das empresas em T&D
Segundo a pesquisa, há uma tendência das empresas em internalizar com maior frequência as ações de treinamento, mas o investimento em consultorias e profissionais externos ainda é uma prioridade. Contudo, caso os investimentos em formações curriculares sejam contabilizados como investimento interno, teremos uma visão 50/50 entre a área interna de T&D e as consultorias externas.
Você pode argumentar que os investimentos em cursos curriculares vão para empresas externas. Porém, existe um esforço de curadoria e pesquisa por parte da área de T&D que não são ações que uma consultoria poderia absorver. Então, neste caso, vejo como uma ação interna.
Outra informação interessante da pesquisa, que se conecta com a internalização das ações de T&D, é referente à quantidade de profissionais alocados na área. Os dados apresentaram um pequeno aumento na quantidade de pessoas nas equipes (comparando com os dados do relatório do ano passado, saímos de uma média de 5 profissionais na área de T&D para 6). Esse aumento também é visível no investimento feito por colaborador, que foi de R$1.072 no relatório 2023/2024 para R$1.222 no documento de 2024/2025, um aumento de 14%.
De forma geral, vejo que as empresas têm olhado mais amplamente para suas áreas internas e investido mais em ações de capacitação de Gerência e Supervisão. Isso amplia os processos de pipeline de sucessão na empresa e gera, indiretamente, mais interesse dos funcionários, uma vez que as ações de recrutamento interno também estão mais presentes (de 84% das empresas, para 88%).
Pesquisas como esta são fundamentais para o mercado de Treinamento e Desenvolvimento. Continuar refletindo sobre essas práticas e ajustando as estratégias é essencial para manter a competitividade no mercado. Investir no futuro dos nossos times é o caminho para construir uma empresa com uma marca forte, seja para clientes ou funcionários!


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